Não sei exatamente quando isso aconteceu, mas em algum momento da minha carreira comecei a acreditar que “ajuda” era uma palavra ofensiva. Ok, tecnicamente ela não é, mas você entendeu o que quero dizer.
Em algum ponto, eu havia absorvido a ideia de que pedir ajuda era o mesmo que admitir fraqueza — e, no fim das contas, fracasso. Só percebi o verdadeiro valor de dizer “Ei! Preciso de ajuda” quando passei a liderar uma equipe. Eu tinha alguns funcionários em seus primeiros empregos depois da faculdade e, sendo bem direto, eles ainda tinham muito a aprender. Eu não esperava que soubessem tudo — mas, de alguma forma, eles sempre pareciam achar que eu esperava, e, por consequência, que não deveriam fazer perguntas. Isso quase nunca acabava bem.
O que aprendi com essa experiência é que pedir ajuda é algo delicado — mas, quando feito da maneira certa, faz o trabalho ser concluído mais rápido ou com mais qualidade. Além disso, é bem provável que todos ganhem experiência valiosa e fortaleçam suas bases para uma carreira de sucesso.
Depois de algum tempo observando minhas próprias reações quando minha equipe vinha me pedir ajuda — ou não vinha — consegui extrair algumas dicas importantes que agora aplico sempre que eu mesma preciso de uma mãozinha.
- Tente, depois force.
O primeiro passo para pedir ajuda é ter certeza de que você realmente precisa dela. Em outras palavras, explore todas as possíveis soluções — incluindo as mais óbvias. Basta o seu gestor perguntar uma vez: “Por que você não tentou X?” para perceber o quanto vale a pena riscar as opções simples da lista antes de pedir apoio.
Uma vez, tive um date com um bombeiro, e ele me ensinou uma lição que carrego até hoje. Ele estava descrevendo o procedimento de entrar em uma casa em chamas, e eu o interrompi (de olhos arregalados, claro) para perguntar se ele precisava arrombar a porta para entrar.
Ele respondeu: “Tente primeiro, depois force.” Ele contou que — no que imagino ter sido parte de algum ritual de trote — a equipe o deixou dar ombradas em uma porta por uma eternidade, até que alguém simplesmente girou a maçaneta e abriu.
A moral da história? Antes de começar a bater o ombro — ou a cabeça — contra uma porta, tenha certeza de que tentou abri-la da maneira tradicional. Nem sempre vai funcionar, mas é bom ter certeza de que não funciona antes que o seu chefe tente primeiro.