Como pedir ajuda

Não sei exatamente quando isso aconteceu, mas em algum momento da minha carreira comecei a acreditar que “ajuda” era uma palavra ofensiva. Ok, tecnicamente ela não é, mas você entendeu o que quero dizer. 

Em algum ponto, eu havia absorvido a ideia de que pedir ajuda era o mesmo que admitir fraqueza — e, no fim das contas, fracasso. Só percebi o verdadeiro valor de dizer “Ei! Preciso de ajuda” quando passei a liderar uma equipe. Eu tinha alguns funcionários em seus primeiros empregos depois da faculdade e, sendo bem direto, eles ainda tinham muito a aprender. Eu não esperava que soubessem tudo — mas, de alguma forma, eles sempre pareciam achar que eu esperava, e, por consequência, que não deveriam fazer perguntas. Isso quase nunca acabava bem.  

O que aprendi com essa experiência é que pedir ajuda é algo delicado — mas, quando feito da maneira certa, faz o trabalho ser concluído mais rápido ou com mais  qualidade. Além disso, é bem provável que todos ganhem experiência valiosa e fortaleçam suas bases para uma carreira de sucesso. 

Depois de algum tempo observando minhas próprias reações quando minha equipe vinha me pedir ajuda — ou não vinha — consegui extrair algumas dicas importantes que agora aplico sempre que eu mesma preciso de uma mãozinha.

  1. Tente, depois force.


  O primeiro passo para pedir ajuda é ter certeza de que você realmente precisa dela. Em outras palavras, explore todas as possíveis soluções — incluindo as mais óbvias. Basta o seu gestor perguntar uma vez: “Por que você não tentou X?” para perceber o quanto vale a pena riscar as opções simples da lista antes de pedir apoio.

Uma vez, tive um date com um bombeiro, e ele me ensinou uma lição que carrego até hoje. Ele estava descrevendo o procedimento de entrar em uma casa em chamas, e eu o interrompi (de olhos arregalados, claro) para perguntar se ele precisava arrombar a porta para entrar. 

Ele respondeu: “Tente primeiro, depois force.” Ele contou que — no que imagino ter sido parte de algum ritual de trote — a equipe o deixou dar ombradas em uma porta por uma eternidade, até que alguém simplesmente girou a maçaneta e abriu. 

A moral da história? Antes de começar a bater o ombro — ou a cabeça — contra uma porta, tenha certeza de que tentou abri-la da maneira tradicional. Nem sempre vai funcionar, mas é bom ter certeza de que não funciona antes que o seu chefe tente primeiro.

2. Não seja um mártir.

Embora seja importante tentar resolver um problema sozinho antes de pedir ajuda, se torturar por horas — ou dias — antes de admitir que precisa de apoio quase nunca é produtivo. 

Lembro de uma vez em que fiquei no escritório até depois da 1h da manhã  tentando resolver um problema especialmente complicado. 

Mesmo com o cansaço e a frustração já tomando conta, eu ainda achava importante que todos soubessem o quanto eu estava me esforçando para solucionar aquilo. Logo aprendi que isso não me rendeu nenhum ponto com ninguém. Embora gestores (eu incluso) valorizem dedicação e comprometimento, detestam ineficiência. 

Se o seu chefe vê você se martirizando por algo, é mais provável que ele pense: “Por que você não veio falar comigo antes?” do que o veja como um funcionário incansável e exemplar.

O segredo aqui é saber o momento de engolir o orgulho e admitir que você travou. Minha regra geral é o que chamo de “regra das três tentativas”: se eu não consigo resolver algo depois de testar pelo menos três soluções diferentes, é hora de reconhecer que preciso de um pouco de inspiração.

3. Prepare um cardápio de perguntas ou opções.

Quando você perceber que realmente precisa pedir ajuda, não vá simplesmente bater na porta do seu gestor para se render. A melhor coisa que você pode fazer é chegar preparado com algumas possíveis soluções (mesmo que não tenha certeza de por onde começar). Isso mostra não só que você pensou no problema antes de pedir apoio, mas também que não está buscando que alguém resolva tudo por você — e sim tentando encontrar uma solução em conjunto. 

Além disso, oferecer ao seu chefe um “cardápio” de opções permite que ele avalie rapidamente suas ideias e, se necessário, contribua com outras. Com essa abordagem, você transforma o que poderia parecer um pedido de socorro em uma conversa colaborativa com alguém mais experiente da equipe — e isso é sempre positivo.

Como descobri na prática, pedir ajuda pode ser uma ferramenta poderosa, desde que usada de forma estratégica. Tenha essas dicas em mente quando se sentir sobrecarregado, e você vai garantir que seu gestor e colegas não soltem nenhuma palavra ofensiva quando você precisar do apoio deles.

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