Recentemente estava com minha filha de 7 anos em uma festinha de aniversário de um de seus amiguinhos. No meio da festa apareceu um destes animadores, muito divertido por sinal, propondo jogar queimada – o que foi prontamente aceito por duas dúzias de crianças eufóricas. Ainda não entendi como em um espaço, um pouco maior do que uma sala de jantar, tantas crianças estavam prontas para brincar. Fiquei de longe, mas não muito, observando como aquilo tudo iria funcionar e, para meu espanto, as crianças estavam se divertindo e, aos berros, tentando fugir da mira do animador como se estivessem lutando pela própria vida.
No meio do alvoroço notei que minha filha estava com um sorriso congelado, e um olhar satisfeito. Ela encontrou uma forma de participar da brincadeira sem correr risco de ser atingida. Bem atrás de uma fina coluna ela estava protegida e, enquanto as outras crianças corriam e tentavam se defender, minha filha estava distante o suficiente para “brincar” sem ser percebida.